Como as notícias falsas afetam seu cérebro

 

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Pouca atenção e um dilúvio de artigos rápidos nas mídias sociais formam uma receita para epidemias de notícias falsas.

“Papa Francisco choca o mundo, endossa Donald Trump para presidente.”

“Assistente de Clinton, JW McGill, é encontrado morto.”

“Dezenas de milhares de votos fraudulentos de Clinton encontrados no armazém de Ohio.”

Essas manchetes de notícias chocantes no ano passado tiveram uma coisa em comum: elas não eram verdadeiras. Cada uma foi fabricada, por malícia ou tentativa de cobrar receitas publicitárias, em um esforço para enganar o maior número possível de leitores involuntários da Internet. Eles eram, em outras palavras, “notícias falsas”.

As notícias falsas, não são nada novas. No passado, assumiu a forma de panfletos criados para manchar inimigos políticos ou histórias sensacionalistas projetadas para “virar” a moda antiga através das vendas de jornais. Mas o recente aumento da informação falsa permitida pela mídia social o propiciou um problema sério que merece um debate nacional e até internacional.

O problema, dizem as pessoas, é o meio. O que faz sentido: as plataformas de redes sociais como o Facebook enfrentam críticas por permitir a disseminação desse tipo de informações enganosas ou incorretas. Ele permitem que qualquer usuário ou mesmo bots automatizados postem artigos ilegítimos, que então se propagam como incêndio através do “like” e “compartilhamento”. Agora, o Facebook lançou novas ferramentas para reprimir os artigos virais falsos, enquanto o Twitter está testando um novo recurso para permitir que os usuários sinalizem informações enganosas, falsas ou prejudiciais.

Redes sociais são os maiores meios de propagação de notícias falsas

Um novo estudo publicado na revista Nature Human Behavior mostra que as limitações do cérebro humano também são culpadas. Quando as pessoas estão sobrecarregadas com novas informações, elas tendem a confiar em mecanismos de enfrentamento menos ideais. A distinção do bom do ruim e acaba privilegiando a popularidade em relação à qualidade, sugere o estudo. É essa combinação letal de saturação de dados e curvas curtas de atenção que podem permitir que notícias falsas se espalhem com tanta eficácia.

“Através de redes como o Twitter e o Facebook, os usuários são expostos diariamente a um grande número de informações transmissíveis que competem para alcançar o sucesso”, diz Diego Fregolente Mendes de Oliveira, físico da Universidade Northwestern que estuda como redes de pessoas funcionam.

Devido aos impactos significativos que a mídia social pode ter sobre política e vida, diz Oliveira, a discriminação entre informações boas e más tornou-se “mais importante nas redes de informação on-line de hoje do que nunca”. No entanto, mesmo que as apostas sejam mais elevadas, a dinâmica de grupos de mentalidade semelhante, como as que se encontram nas mídias sociais, pode prejudicar o julgamento coletivo desses grupos, fazer julgamentos sobre falsas notícias ainda mais difíceis de fazer. Como o estudo diz, quando é dada muita informação, os humanos tornam-se “vulneráveis ​​à manipulação”.

Como a informação se espalha nas redes sociais

Em 2016, Oliveira começou a estudar como a informação se espalha nas redes sociais. Como “informações de baixa qualidade” ou novidades falsas podem acabar se agitando como um contágio. Ele projetou um modelo teórico para prever como as notícias falsas se espalham nas redes sociais.

O modelo não incorporou usuários humanos reais ou artigos falsos reais. Mas ele aproveitou os dados coletados por observadores independentes sobre artigos desmascarados (mas ainda mais populares) do Facebook e Twitter para calcular uma proporção média de notícias reais para novidades falsas em postagens marcadas para revisão pelos usuários. Oliveira usou essa relação para executar um algoritmo que ele projetou no compartilhamento de notícias em uma rede.

Este modelo foi similar em design a um estudo prévio em que Oliveira mostrou como as pessoas que se segregam em redes separadas – as bolhas sociais de pessoas de mentalidade semelhante que alguém tende a criar no Facebook, por exemplo, podem contribuir para fraudes e propagação de informações falsas. Como pensa, essas pessoas são menos propensas a serem expostas a informações contrárias às postagens que seus amigos de mentalidade divertida estão compartilhando, que podem afastar as falsas notícias e revelar a verdade.

Em fluxos de informação baixos, seu algoritmo previu que um usuário da mídia social conseguiu discernir entre notícias genuínas e falsas. O que foi compartilhando notícias na maior parte genuínas. Oliveira e seus co-autores modificaram o algoritmo para refletir maiores e maiores fluxos de informações. Percorreram um feed sem fim do Twitter ou do Facebook, o usuário provou ser cada vez menos capaz de distinguir o tipo das informações.

Oliveira descobriu que, a popularidade teve um efeito mais forte sobre se uma pessoa compartilhava algo além da qualidade. Nos níveis mais elevados de fluxo de informação, esse efeito tornou-se mais pronunciado. E que as pessoas teoricamente gastariam menos ou nenhum tempo avaliando a qualidade da informação antes de decidir compartilhá-la. Ao prestar cada vez menos atenção na informação, as pessoas estavam compartilhando notícias falsas com mais frequência.

Nas taxas mais elevadas modeladas, a qualidade de uma informação não teve efeito sobre a popularidade dessa informação. “Mostramos que a sobrecarga de informação mais atenção limitada contribuem para degradação do poder discriminativo do sistema”, disse Oliveira.

A qualidade da informação nem sempre ganha quando se trata de distribuição

Embora o modelo tenha limitações claras, fornece uma interpretação de como as notícias falsas se espalham. “Tradicionalmente, acredita-se que a verdade tenha algum poder inerente para superar o falso”, diz Haluk Bingol engenheiro de informática. “Da mesma forma, o bom acabou por superar o mal. As normas sociais são baseadas nesses pressupostos. Curiosamente, isso nunca foi testado empiricamente.”

Bingol, que estava fora neste estudo, diz que a qualidade da informação nem sempre ganha quando se trata de distribuição. A pesquisa de Oliveira alinha-se com as descobertas anteriores de Bingol sobre a escolha do relacionamento e quantidade de informação. Em um artigo, ele descobriu que a recomendação de um comerciante que anunciava um determinado item para um cliente potencial importou ainda mais fortemente quando o cliente recebeu mais opções para escolher.

“Se você aumentar artificialmente o número de escolhas, poderá obter melhores resultados com o mesmo impulso de marketing”, diz Bingol. Em outras palavras, uma pessoa com sobrecarga de informações é muito mais fácil de se manipular. “Claramente, isso não é difícil de fazer hoje”, acrescenta.

Para pesquisas futuras, Oliveira espera aprimorar seu modelo com alguns desses outros fatos. Incluirá como o relacionamento de uma pessoa com o compartilhador de informações afeta a maneira como eles o processam. Também a probabilidade de as pessoas mudarem suas mentes ao receber informações on-line que conflitam com suas crenças atuais.

No final, Oliveira acredita que a interrupção de notícias falsas começa com os leitores. Ele sugere que as pessoas leiam atentamente o que compartilham on-line. Evite pessoas que não sejam amigas ou que não sigam pessoas para criar uma câmara de eco on-line. Evite assumir que qualquer coisa é confiável. Mesmo que confie na pessoa que a compartilha. “Nossos amigos provavelmente não são bons editores e são impulsionados por emoções e tende mais que objetividade e confiabilidade”, ressalta.

Então, dê a este artigo outra leitura e veja de onde veio antes de clicar em “compartilhar”.

Fonte: Smithsonianmag

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