Cientistas encontram algo estranho no cérebro dos fumantes de maconha

A denominação oficial da maconha pelo DEA como uma droga Classe 1, algo como “não aceito para nenhum uso medicinal”,  significa que é bastante difícil de estudá-la. Contudo diversos relatos informais, bem como algumas pesquisas, têm relacionado a maconha com diversos supostos benefícios para saúde, desde o alívio da dor, até ajudar aliviar certas formas de epilepsia.

Ainda assim, os especialistas dizem que análises científicas mais rigorosas são necessárias. O uso de maconha, uma droga psicoativa, pode vir com riscos, especialmente em pessoas que possam estar propensas ao vício ou doenças mentais. E agora, pela primeira vez, os pesquisadores descobriram uma ligação entre o uso diário da erva em um período de dez anos e uma diferença na forma como o cérebro processa a recompensa.

Durante anos, os pesquisadores sugeriram que existe essa ligação, e em caso afirmativo, pode desempenhar um papel poderoso no vício. Uma parte importante desta linha de pensamento é que os viciados, longe de indivíduos amorais incapazes de tomar decisões inteligentes, simplesmente respondem de forma diferente aos medicamentos, neurologicamente, psicologicamente, fisiologicamente, do que as pessoas que não são viciadas.

E essa resposta é provavelmente o resultado de muitos fatores fora do controle da pessoa, incluindo a genética, comportamento e meio ambiente.

Então, para seu estudo, publicado na quarta-feira na revista Human Brain Mapping, os pesquisadores do Centro de BrainHealth na Universidade do Texas, Dallas, verificaram o cérebros de 53 pessoas que usam a maconha diariamente a longo prazo (14 dos quais conheceram os critérios para dependência da Associação Americana Psiquiatria) e 68 pessoas que nunca tinham usado a droga diariamente.

Em seguida, os pesquisadores mostraram-lhes uma série de objetos destinados a testar a resposta do mecanismo de recompensa. Os objetos incluído um tipo de fruta (a “sugestão natural”), um lápis (a “sugestão neutra”), e qualquer item que remetesse a ( “sugestão de maconha”), dependendo de qual o participante dissera preferir.

Imagem de uma planta de maconha
Imagem: Marcio Jose Sanchez/AP/Arquivo

O importante, esse estudo não olha para os chamados usuários recreativos, aqueles que usam a droga a cada poucas semanas ou meses. Em vez disso, concentrou-se sobre as pessoas que usaram a droga todos os dias em uma média de 12 anos, vários dos quais preencheram os critérios para ser viciados à droga, e muitos dos quais apresentaram alguns sinais de problemas passados ou presentes com a erva.

Por quê? Porque os pesquisadores queriam trazer à tona como as alterações no caminho de recompensa do cérebro pode afetar aqueles que usaram a droga todos os dias durante anos e, mais importante, porquê!

Não surpreendentemente, quando os usuários crônicos foram apresentados aos itens que remetem a erva, eles mostraram uma resposta mais forte em várias partes do seu cérebro ligadas à recompensa do que quando lhes foram mostrados as sugestões de frutas.

Em contraste, os não-usuários não apresentaram uma resposta significativamente maior, quer seja com a demonstração da erva ou das frutas, e algumas partes de seus cérebros mostraram uma maior resposta ao fruto do que os itens que remetem a droga.

“Descobrimos que a maconha atrapalha circuito de recompensa natural do cérebro, fazendo com que a maconha salienta altamente para usuários viciados”, diz Francesca Filbey à Business Insider, ela é diretora de pesquisa de neurociência cognitiva de vícios no Centro de BrainHealth e professora associada na Escola de Comportamento e Ciências do Cérebro.

“Em essência, essas alterações cerebrais poderiam ser um marcador de transição do uso de maconha recreativa para uso problemático”, disse ela.

O córtex orbitofrontal, destacado em verde
O córtex orbitofrontal, destacado em verde

A maconha e o cérebro

Em outro estudo de 2014 também feito por Filbey, ela e sua equipe descobriram que, em comparação com pessoas que não usam a erva, a longo prazo, os usuários viciados tendem a ter um córtex orbitofrontal menor, uma região do cérebro crucial para o processamento de emoções e tomada de decisões.

E, curiosamente, os usuários pesados também parecia ter mais conexões cerebrais-cross. Os cientistas pensam que os usuários regulares podem desenvolver esses links como uma forma de compensar a diferença de tamanho. Os usuários de maconha regulares também tiveram menores escores de QI quando comparados com as pessoas que não usaram a droga.

Para chegar a seus resultados, uma das primeiras e abrangentes imagens em 3D do cérebro de adultos que tinha fumado maconha pelo menos quatro vezes por semana, muitas vezes por dia, durante anos, os pesquisadores usaram uma combinação imagens por ressonância magnética do cérebro.

Ainda assim, esse estudo não mostrou que o uso crônico da erva causa o encolhimento de certas regiões do cérebro, ou de que o uso de maconha causa menores escores de QI, ele simplesmente mostrou uma relação entre esses fatores.

“Não podemos dizer honestamente que é exatamente isso que está acontecendo”, disse Filbey a Business Insider em 2014.

Da mesma forma, o estudo mais recente não mostra que o uso crônico da maconha provoca alguma alteração no mecanismo de recompensa do cérebro; O inverso também poderia ser verdade, que a resposta alterada no mecanismo de recompensa é influenciado pela utilização crônica da maconha.

Este artigo foi originalmente publicado pela Business Insider.

Fonte: ScienceAlert

3 comentários em “Cientistas encontram algo estranho no cérebro dos fumantes de maconha

  • 12 de junho de 2016 em 00:20
    Permalink

    Pelo que entendo essa pesquisa baseou-se no uso da maconha em forma de fumo o que é bem diferente do uso da extração de uma de suas substâncias chamada de THC.
    Toda erva seja ela maconha ou mesmo o Iboga africano tem sua parte negativa e sua parte curativa, inclusive o próprio Shakespeare diz em uma de suas obras cênicas:

    “Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades, porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal…”

    (Cena III, Ato II de Romeu e Julieta – William Shakespeare, 1564-1616)

    Não entendo muito como rolam as pesquisas ou a cabeças de determinados pesquisadores, mas quando fui estudar micologia pois a tenho como um encanto de criança e chamava de casinha das joaninhas por sempre ter essa paixão em observar o chapeuzinho se formar e em pouco tempo se dissolverem.
    Sempre logo após uma chuva ia para mata para tentar fotografar as espécies mas parei com isso pela minha segurança. Hoje há muito traficantes dentro das reservas e eles matam por usarem as mesmas como QG.
    Nesses estudos aprendi que quase todos os cogumelos são comestíveis e na brincadeira diziam, “alguns apenas uma única vez” exatamente por serem venenosos. Mas diria que tirando esses 80% são de fato comestíveis mas apenas 20, ou 25% deles agradam ao paladar humano.
    Tenho um espaço que anda parado onde escrevia sobre ervas usadas na medicina tribal ou religiosa, chegada mais as tradições africanas e indígenas, mas parei pois soube que andaram pegando meu material e fazendo apostila para venda sem informar o grande perigo que isso pode ser e ali falo sobre o feijão de praia (canavalia-rosea) que é conhecida dentro dos cultos africanos pela parte Yorùbá e Fon como Gbòrò Ayaba e pela parte Bantu como Mubange Kaia exatamente pelos Ngangas usarem-na como mistura do fumo em cachimbo em rituais o que lhes davam força descomunal e assim como a canabis (Maconha) era usada para confrontos entre guerreiros.
    Essa erva é devastadora se usada sem conhecimento ritualístico ou de quem conhece ervas a fundo, podendo levar a morte em poucos minutos por parada cardio respiratória. O problema que a mesma já faz parte de uma droga vendida em larga escala Hamburgo na substituição da cocaína e do ecstasy, sendo batizada de SPICE.
    Há uma matéria que coloquei nesse espaço falando sobre os estudos medicinais da canabis, aqui:
    https://planetavegetal.wordpress.com/2016/03/12/medical-marijuana-reaches-key-legislative-approval-in-texas/

    Ah e apenas para deixar um estudo que fiz sobre a maconha, ela tem um parente que apesar de ser diferente mostra como a natureza é prodiga, da mesma forma que uma causa dependência a sua parente deveria ser usada como tratamento para retirar a dependência conforme estudos que fiz nos documentos botânicos disponibilizados pela BHL (Biodiversity Heritage Library – www. Biodiversitylibrary.org) em 07 de Janeiro de 2012.
    E seu nome e sua foto prefiro até deixar para leiam pois considero de utilidade pública. Deixarei o link para lerem tudo sobre ela:

    https://planetavegetal.wordpress.com/2013/04/24/trema-orientalis/

    Acredito que há muito que se estudar sobre as ervas antes de dar um parecer final.

    Abraços! 🙂

    Resposta
    • 13 de junho de 2016 em 15:34
      Permalink

      Realmente meu caro colega, existem muitas limitações nesse tipo de estudo, e envolve muitos fatores que ainda tramitam em uma esfera de poder que nem sabemos se existe, imagino algum dia podermos entender tudo que existe nesse nosso planeta, também acredito que existe sim um sentido na existência dessa planta além da parte maléfica. Obrigado por compartilhar suas palavras!

      Resposta

Obrigado por ler, deixe seus comentários e não esqueça de compartilhar

%d blogueiros gostam disto: